• 10 de outubro de 2017
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A verdadeira história da Gangue da Bota Preta

Influenciados pela eclosão do movimento de pichação do sudeste do país, no início da década de 1990, a cidade de São Luís foi aterrorizada por um grupo que se intitulavam “Garotos da Bota Preta”. Contudo, ainda há muita controvérsia sobre a história do grupo.

Os “Botas Pretas” eram adolescentes e jovens, entre 16 e 23 anos, residentes da região dos bairros Ivar Saldanha, João Paulo e Alemanha. Quando iam às festas da cidade, eles usaram coturnos e roupas pretas – daí o nome.

De acordo com um ex-participante do BP, o grupo nunca teve o intuito de praticar contravenções na cidade. “A gente se reunia para ouvir rock, ir no Casino Maranhense”, conta Fabiano Corrêa, 32 anos, que hoje é publicitário. Porém, com o crescimento descontrolado, que fugiu ao controle dos “líderes” do grupo, a Bota Preta adquiriu outras vertentes.

Logo, a Gangue da Bota Preta ganhou fama na cidade. “No meio de tudo isso, sempre tem uma pessoa que usa de má-fé. Várias pessoas, marginais do próprio bairro, usavam o nome para cometer assaltos”, garante Fabiano.

O bico do peito das meninas

O historiador Antônio Marcos, que possui uma pesquisa sobre as gangues de São Luís, arremata de antemão: “Nenhuma estudante teve o seio cortado”.

Mas o que realmente aconteceu?

De acordo com a pesquisa de Antônio, a mídia local teve uma parcela considerável de culpa ao disseminar a informação desencontrada e deixar a cidade em pânico. “O que aconteceu foi que o pessoal da Bota Preta tinha seguidores, pessoas de outras gangues. Um desses seguidores estava com sua namorada consumindo drogas. Alucinada, ela pediu, como desejo sexual, que gostaria de ter o bico do seio arranhado com um caco de telha. Ele realizou o desejo”, explica o historiador Antônio Marcos.

Aqui entra a participação da mídia local, que, ao saber que o rapaz tinha apreciação pelos Garotos da Bota Preta, estampou os jornais com o título “Bota Preta corta seio de estudantes”.

A partir daí a situação ficou descontrolada. “Os participantes da gangue, ver seu nome na mídia era um troféu. Alguns outros jovens entraram na onda e ficavam passando trotes para as escolas. O que fortaleceu o clima de insegurança na cidade.”

Foi então que o diretor-chefe da Polícia Metropolitana à época, Luis Moura, decidiu direcionar toda a força militar no combate ao boato. Repreendidos e difamados, os garotos decidiram – ou foram obrigados – acabar com a Bota Preta.

Saudoso, Fabiano, o ex-integrante do grupo, finaliza: “Eu seria capaz de repetir tudo novamente. Mas não em uma época como essa.”

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