Dívida de prefeito com seu pai foi quitada com propina

Felipe dos Pneus segue fora do comando do município por força de decisão judicial e pode perder o mandato.

No dia 27 de abril de 2022, a Prefeitura de Santa Inês sentia o primeiro abalo do maior escândalo de sua história: começava a desmoronar um esquema criminoso responsável por promover fraudes licitatórias e superfaturamentos contratuais no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde de Santa Inês/MA.

O caso envolvendo verbas federais que deveriam ser utilizadas para comprar medicamentos e insumos hospitalares foi desbaratado pela Polícia Federal, através da Operação Free Rider, contando com apoio da Controladoria Geral da União (CGU).

Para contar a história que resultou no afastamento do prefeito Felipe dos Pneus (Republicanos), o blog do Antônio Martins, deu início ontem à divulgação da série ” Aos Fatos”, que surgiu com a proposta de revelar em riqueza detalhes todo o esquema envolvendo os investigados.

Para demonstrar o quão relevante o trabalho jornalístico pode resguardar o erário, hoje no 2º episódio da série, vamos mostrar que um dos motivos que levaram Felipe dos Pneus a se envolver com o suposto esquema, por exemplo, foi quando o prefeito chegou a pedir R$ 100 mil ao principal fornecedor de sua gestão para pagar uma dívida acumulada com o próprio pai, Antônio Barbosa de Carvalho.

Segundo documento sigiloso, ao qual tivemos acesso, em conversa de whatsapp interceptada pela PF, o prefeito sugere a Antônio Neto uma articulação junto a Antônio Rocha, proprietário da Droga Rocha [empresa com contrato junto ao município investigado pela polícia], o repasse da quantia para o pagamento de um dívida que ele acumulava com o próprio genitor.

“Manda seu Rocha transferir R$ 100.000,00. Preciso pagar o pai”, destaca trecho do diálogo.

De acordo com as investigações, o referido diálogo data de julho de 2021, enquanto o contrato investigado encontrava-se vigente e, consequentemente, havia o repasse de valores pela Prefeitura de Santa Inês, conforme os extratos bancários da conta pública presentes nos autos.

Transferências

Felipe dos Pneus também recebeu transferências de mais de R$ 700 mil em apenas três meses, conforme apurou a PF. Nesse período, ele teria recebido teria recebido 13 (treze) transferências distintas, no período de 03 (três) meses, por meio da AZMOM, totalizando o montante de R$ 761.200,00.

“Em síntese, tem-se como resultado despontado na presente análise, que no período entre 01/08/2021 até 04/11/2021, somente através da conta bancária da AZMOM, o Prefeito Luis Felipe recebeu um total de 13 transferências bancárias distintas, totalizando o montante de R$ 761.200,00 que foram repassados, via emissão de cheques, para 4 pessoas distintas, destacando-se como beneficiários imediatos, a empresa do seu pai, A. B DE CARVALHO, a sua chefe de gabinete, Liliane Gatinho, o articular do esquema criminoso, Antônio Neto, e para o suposto laranja, Itamar Costa Marques, totalizando-se o montante de R$ 761.054,00, conforme demonstrado neste relatório”, diz trecho do relatório.

Núcleos da propina

As investigações também constataram que as contratações na gestão municipal eram precedidas de negociações de propina, repassadas por meio de empresa falsa para os integrantes da organização criminosa que se dividiram em três núcleos:

1. núcleo criminoso com atuação na Prefeitura;

2. núcleo criminoso com atuação na Secretaria de Saúde;

3. núcleo criminoso empresarial.

Entre os componentes do núcleo da prefeitura estão o prefeito afastado e os servidores da Prefeitura vinculados ao setor de compras e licitação, a exemplo da Secretaria de Administração, Departamento de Licitação, Diretoria de Compras e Gabinete do Prefeito.

O núcleo criminoso da Secretaria de Saúde é encabeçado pela Secretária de Saúde e outros servidores, chefiados pelo Diretor de Compras e demais envolvidos no setor de licitação.

No núcleo empresarial, com sede localizada em Teresina/PI, o sócio da empresa contratada, seu sobrinho e um funcionário compõem o grupo que realizavam as movimentações bancárias, com saques de grande quantidade de dinheiro em espécie toda semana, também facilitavam o esquema de “montagem” dos processos licitatórios para a contratação da empresa.

O prefeito segue fora do comando do município por força de decisão judicial e pode perder o mandato.

Leia mais notícias em blogdoantoniomartins.com e siga nossa página no Facebook. Envie fotos, denúncias e informações ao blog por WhatsApp pelo telefone (98) 99218 9330.

Deixe uma resposta